Turisas em Curitiba, Paraná. Com Mathias Nygard.
“A Anunciação”
Leonardo da Vinci
Nascer da meia-noite
Nas sombras ocultas, sobre as rochas negras
E sobre um musgo ancestral
Onde um vapor sai das fendas incrustadas no solo
A malvada moradia
Rápido, rápido, rápido, rápido, rapidamente que o relâmpago desce
Tentando chegar a tempo
De se esconder, esconder, esconder, esconder, se esconder da morte radiante
Que virá ao
Nascer da meia-noite
A noite abraça essas terras
As pessoas fazem um círculo de mãos dadas
Uma chama surge sobre o calmo lago
Iluminando suas faces e engrandecendo a paisagem
Sob a capa da escuridão eles devem surgir
E colocarão seus pés sobre o chão
Enquanto as pessoas os recebem em suas casas
Para causar estragos com seus poderes
O rápido, rápido, rápido, rápido…
Nascer da meia-noite
A noite abraça essas terras
As pessoas fazem um círculo de mãos dadas
Uma chama surge sobre o calmo lago
Iluminando suas faces e engrandecendo a paisagem
A ampulheta de areia pára seguindo, a corrente permanece fixa
O distante horizonte inflamado, uma luz sobre a colina
Três reis dourados chegam cavalgando pelo céu da meia-noite
Três espadas douradas brilham, um sinal para olhos doloridos
O tempo pára quando os raios da aurora chegam
O dia se aproxima
E os raios de sol os encaram
O horror surge em seus corações
E eles correm por suas vidas o mais rápido que podem
Em pânico eles fogem
Rápido, rápido, rápido, rápido…
Nascer da meia-noite
A noite abraça essas terras
As pessoas fazem um círculo de mãos dadas
Uma chama surge sobre o calmo lago
Iluminando suas faces e engrandecendo a paisagem
Doze cascos dourados chegam esmagando sobre a terra
E afugentam as criaturas para suas tocas
Onde eles aguardarão mais uma vez pela chegada da noite
Aqueles que não tem a sorte de conseguir escapar
Estarão queimando com os raios ao nascer da meia-noite
Três reis dourados chegam cavalgando pelo céu da meia-noite
Três espadas douradas brilham, um sinal para olhos doloridos
O tempo pára quando os raios da aurora chegam
Turisas
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Rio de Janeiro, 1951.
Stand up and Fight - Turisas
Se Deus tivesse um nome, qual seria?
E como você o chamaria na sua frente?
Se você se encontrasse com ele em toda sua glória
O que você perguntaria se tivesse apenas uma pergunta?
É, é, é Deus é maravilhoso
É, é, é Deus é bom
É, é, é….
E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como um de nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando voltar para casa?
Se Deus tivesse um rosto, como seria?
E você gostaria de vê-lo, se vê-lo significasse
Que você teria que acreditar em coisas como paraíso
E em Jesus e os santos e todos os profetas?
É, é, é Deus é maravilhoso
É, é, é Deus é bom
É, é, é….
E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando voltar para casa?
Tentando voltar para casa?
Volte para o paraíso sozinho
Ninguém chamando ao telefone
Exceto pelo Papa talvez em Roma…
É, é, é Deus é maravilhoso
É, é, é Deus é bom
É, é, é….
E se Deus fosse um de nós?
Apenas um desajeitado como nós
Apenas um estranho no ônibus
Tentando voltar para casa?
Como um sagrado Rolling Stone
Volte para o paraíso sozinho
Não, somente tentando voltar para casa
Ninguém chamando ao telefone
Exceto pelo Papa talvez em Roma…
Não te afastes
Chega bem perto
Cria. Não sejas infiel
Encontra o antídoto no veneno
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Moldado em barro, misturado porém a substância da certeza
Tu, guardião do tesouro da luz sagrada
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Ao vislumbrares a dissolução
Serás arrancado de ti mesmo
E libertado de tantas amarras
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Nasceste dos filhos, dos filhos de Deus
Mas fixaste muito abaixo a tua mira
Como pode ser feliz assim?
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
És o talismã que protege o tesouro
E também a mina onde se encontra
Abre teus olhos. Vê o que está oculto
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Nasceste de um raio da majestade de Deus
E carregas a bênção de uma estrela generosa
Por que sofrer nas mãos do que não existe?
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Aqui chegaste embriagado e dócil
Da presença daquele doce amigo
Que com o olhar cheio de fogo, roubou nossos corações
Vem. Retorna à raiz da raiz de ti mesmo
Nosso mestre e anfitrião
Colocou a taça eterna diante de ti
Glória Deus, que vinho tão raro!
Vem. Retorna à raiz da raiz de teu ser
Não aja tão estranho
Duro como uma rocha
Se eu te mostrei pedaços de pele
Que a luz do sol não toca
E tantos sinais que nem eu mesma conhecia
Te mostrei minha força bruta
Meu calcanhar de Aquiles, a minha poesia
O que fará, só uma história a mais?
O que farei se não voltar a ver você?
Se desde o dia em que você não está
Eu vi a noite chegar muito antes das seis
Se desde o dia em que você não está
Eu vi a noite chegar muitos antes das seis
Muito antes…
Não abandone o barco
Antes de que partamos
Até uma ilha deserta
E depois, depois veremos
Se você me vê desarmada
Por que lança seus mísseis?
Se você conhece os meus pontos cardiais
Os mais sensíveis e sutis
O que você fará, a vida te dirá
O que farei se não voltar a ver você?
Se desde o dia em que você não está
Eu vi a noite chegar muito antes das seis.
Se desde o dia em que você não está
Eu vi a noite chegar muitos antes das seis.
Muito antes das seis.